O que já sabemos leva o mundo de 1 a n. Somente quando criamos algo novo, saímos de zero para 1. É muito mais difícil imaginar algo novo do que imaginar aprimoramentos sobre algo que já existe. O ato de criação é singular.
Ir de 1 a n significa a realização de progresso horizontal ou incremental: ou seja melhorar ou tornar mais eficiente, algo que já existe.Por outro lado, ir de zero significa a realização de progresso vertical ou intensivo que se traduz em inovação radical, criar algo completamente novo.
É com base nessa idéia que se desenvolve o livro De Zero a Um - Peter Thiel.
Startups e a estranha verdade sobre o cotidiano
O livro nos faz refletir sobre nosso cotidiano que embora nos pareça moderno à primeira vista, é estranhamente ultrapassado e que a compreensão deste aspecto da realidade é justamente o coração das empresas startups.
Uma startup é uma empresa menor do que uma grande organização e maior do que uma pessoa só. Sua força é pensar. Uma startup de verdade, precisa questionar ideias conhecidas.
Mas qual seria exatamente o questionamento a fazer? Para o autor, esta questão pode ser expressa tanto em termos de visão pessoal quanto em termos de visão de negócios:
Sobre que verdade importante pouquíssimas pessoas concordam com você?Que empresa valiosa ninguém está construindo?
O livro de zero a um não trará respostas a essas perguntas, mas mostrará os caminhos possíveis para a busca de respondê-las o que levará o leitor a repensar e questionar diversos conceitos sobre economia, mercado e criação de negócios.
Revendo conceitos
Durante a leitura, somos levados a refletir sobre diversas conceituações as quais costumamos aceitar sem pensar muito.
Por exemplo, o autor considera que Capitalismo e concorrência são definições conflitantes pois o primeiro prega a concorrência sob as mesmas condições para todos, porém a concorrência perfeita não gera lucros e consequentemente mata o Capitalismo, já que sem lucro não há acumulação de capital.
Segundo o autor, o Capitalismo na verdade é fruto do desequilíbrio provocado pela concorrência igualitária e que a busca pelo monopólio (e não a existencia deles) é que gera a competição e os conflitos. Ele ilustra esse conceito comparando duas visões de mundo distintas:
Para Marx,
as pessoas lutam porque são diferentes (luta de classes).
Para Sheakspeare,
as pessoas lutam quando se tornam semelhantes.
Não à disrupção
A diferença entre as visões de mundo de Sheakspeare e Marx, levam a outra ideia que faz “De Zero a Um”, a se destacar frente a outras obras sobre novos negócios e inovação: É preciso dizer não à disrupção!
Se uma empresa é vista como concorrente ou oposta às existentes, ela não se tornará um monopólio. A inovação radical, pressupõe a não concorrência, visto que o que está sendo criado é totalmente diferente de algo que já existe.
A receita do sucesso não existe
Entender a questão da disrupção, ajuda a esclarecer ao longo de todo livro, uma dura verdade que muitos empreendedores ignoram: não existe receita para inovação e o que importa do futuro é que ele será na época em que o mundo parecerá diferente de hoje. Ele será diferente e estará ancorado no mundo atual.
Para terminar esta resenha, nada melhor do que mais alguns questionamentos levantados por essa envolvente obra:
Antes de abrir um negócio, pense…
- Quais segredos a natureza não está lhe contando?
- Quais segredos as pessoas não estão lhe contando?
O melhor lugar para procurar segredos é onde ninguém está procurando...
Não deixe de ler: De Zero a Um - Peter Thiel

