Perfeccionista x Normal

Vou mostrar aqui a diferença entre uma pessoa perfeccionista e uma pessoa normal, tranquila.

Imagine o seguinte contexto:

São 17 horas e você quer fazer um post curtinho para seu blog. Nada demais. Apenas umas 10 linhas de texto, sem imagem, sem firula, sem stress.

PESSOA PERFECCIONISTA

Começando

Você gera o post com um comando, abre o arquivo pra poder pensar no que vai escrever. Você olha para a tela e percebe que o arquivo está em branco. Precisaria ter um cabeçalho frontmatter. Sem problemas, você pensa: - Posso pegar um cabeçalho de qualquer post antigo mas… Por que não automatizar o comando pra já trazer um cabeçalho pré-preenchido?

40 minutos depois

Você mexeu em 2 arquivos diferentes: criou um script novo e também um template novinho com um modelo de cabeçalho. Quando você gera a postagem, ela já vem com o cabeçalho e ele possui o título preenchido a partir do nome do arquivo, data do dia, algumas tags e demais descritores.

Agora você gera seu post novamente e magicamente ele já tem cabeçalho. Você escreve 2 linhas e manda dar build. Ixi! Apareceu um errinho. Vamos olhar? Você olha todo o log de build e deploy. Parece um erro bobo. Por isso mesmo, você vai corrigir HOJE.

2 horas depois

Você já mexeu em mais de 20 arquivos. Revisou todos os scripts de update e build. O erro era bobo sim. Só um arquivinho com caracter inválido deixado num diretório qualquer. Você exclui o dito cujo e… “ABRACADABRA!” O buid e o deploy rodoram liso dessa vez. O post já subiu e, melhor de tudo, zero erros.

Mas pera aí… Aqueles scripts de build que você checou estão horríveis né? Cheios de strings hard-coded que podiam se transformar em lindas variáveis. Assim, se um dia vc mudar de sistema operacional, mudar de computador, mudar de disco, você não vai precisar ficar tendo trabalho chato de acertar os scripts. Vamos arrumar isso agora mesmo, certo?

4 horas depois

Você refez todos os scripts de update e build. Refez também o script de backup. Criou aliases bem legais de no máximo 3 letras, só para o caso de você ter que fazer MUITAS postagens num mesmo dia (algo em torno de 1000?) e não ter que ficar digitando aqueles comandos enormes de até 9 caracteres. Deu trabalho, mas tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.

Pensando novamente no cabeçalho, você chega à conclusão que ele tem “tags” e “categories”, entidades que no fundo são quase a mesma coisa. Daí você resolve que os categories vão se chamar “Tópicos” e serão tags mais gerais, enquanto as tags, continuarão se chamando tags mesmo, pois são mais específicas. Por que não aproveitar que já estamos com a mão na massa, para implementar essa pequena melhoria, rapidinho?

3 horas depois

Você foi no arquivo de configuração e leu ele todo, algo em torno de 300 linhas. Descobriu onde se dá o nome de categories para categoria. Trocou o nome para “Tópicos”, resolvido. Também foi em CADA UM dos 32 posts (ainda bem que o blog estava parado) e em cada cabeçalho, tirou as “categorias específicas”. De quebra, aproveitou pra atualizar a foto de perfil do blog. Ficou bacana, hein! Mas pera aí… Essa foto de perfil não está exatamente no mesmo tom da paleta do blog. O azul está meio que esverdeado demais. Tranquilo, nós temos GIMP instalado e com ele podemos dar logo um jeito nisso! Coisa rápida.

4 horas depois

Você gerou pelo menos 5 versões diferentes da foto do perfil. Todas com menos verde atrapalhando o azul. Porém, algumas versões ficaram claras demais, outras escuras demais. Você passou 20 minutos só consertando as cores, reduzindo o ruído, e o restante do tempo tentando acertar a iluminação. Se a foto fica escura demais, perde detalhes quando o blog entra em modo dark. Se ela fica clara demais, as bordas parecem querer se misturar com o fundo quando o blog entra no modo light. Resultado: depois de “alguns testes”, a foto ficou linda e você decide que também vai usá-la no Instagram, no Whatsapp e no Linkedin.

1 hora depois

Você precisou ajustar o “tom” da foto em cada um desses aplicativos e acabou gerando mais 3 versões da foto. Nesse meio tempo, você olhou pra tela e viu todos aqueles scripts que você ajustou anteriormente, espalhados pelo diretório raiz do blog. Como está feio isso, né? Nééééé? Não dá pra deixar assim não!

30 minutos depois

Você criou a pasta “scripts”. No começo ela ia se chamar “bin” mas depois de pesquisar no github outros códigos fontes de blogs, você percebeu que a maioria chama a pasta “scripts”, de scripts mesmo. Você moveu todos os scripts pra dentro dela, abriu cada um deles e acertou o path. Puxa, que sorte! Eram só 7 arquivos. Depois disso, você testou cada um deles, só pra garantir que tudo está funcionando como manda o figurino.

Agora sim! Você volta ao post, edita, escreve as linhas restantes de texto e manda dar build!

Parabéns! Trabalho finalizado, bora pro café da manhã.

PESSOA NORMAL

Começando

Você gera o post com um comando e abre o arquivo gerado pra poder pensar no que vai escrever. Você olha para a tela e percebe que o arquivo está em branco. Sem problemas: você vai num post antigo, copia de lá o cabeçalho e a seguir, escreve algumas singelas linhas.

10 minutos depois

Você fecha o arquivo, roda o script de build. Confere a postagem. Post publicado. Fim!