Propaganda danosa
Hoje vi um sujeito postando no Linkedin (a única rede social que tenho usado), que a migração do Windows para o Linux seria um tipo de batismo digital.
Na concepção do autor da postagem, esse “batismo digital”, consistiria em se tornar um usuário mais preparado para o mundo.
Alguém que saiba usar o terminal, entenda bem sobre as configurações e trade-offs de seu sistema. Alguém que usa Linux porque sabe o que está fazendo.
Já pensei como ele, mas hoje tenho uma opinião diferente sobre a questão.
O poder do Windows
O verdadeiro sucesso do Windows e o que fez tombar concorrentes de peso como Xerox, e IBM, se deve ao fato dele, por design, ter sido “feito para as massas”, além de ter um ecossistema aberto.
Qualquer um, mesmo iletrados digitais, conseguem usá-lo, com mínimo esforço.
Isso serviu como motivação para fabricantes de dispositivos e software, estimulando não só o usuário final, mas também a indústria.
Você liga e ele funciona. Você sabe o que esperar dele. Não precisa “entender muito” para instalar um programa, abrir um editor de textos ou usá-lo para qualquer atividade trivial.
Linux para as massas
Já existem distribuições Linux muito amigáveis para o usuário comum.
Para quem está começando e quer usar algo diferente, sem precisar ter muita experiência, eu recomendo o Linux Mint.
Ele é super fácil de instalar e tem uma interface (Cinnamonn) bem semelhante ao Windows, o que reduz significativamente a curva de aprendizado. E melhor: funciona out-of-the-box. Você instala e sai usando, sem precisar virar técnico de informática.
A questão da usabilidade e a oferta de softwares para plataforma é um problema já bem equacionando.
O que falta é mudança de mindset. Aqueles que chegaram primeiro ao Linux (leia-se pessoas de TI), precisam entender que o software deve servir ao usuário e não o contrário, pois quem não trabalha com TI, tem outras preocupações que vão muito além do sistema operacional, que no final é só um commodity.
No dia que esse mindset virar, esse será o verdadeiro Dia do Linux e ele estará mais perto de atingir seu propósito maior: ser uma alternativa livre para as massas, fazendo frente às grandes corporações.
O pequeno grande passo que ainda falta à comunidade de software livre, é mais comportamental do que tecnológico.

